10/17/2006

A minha, a nossa solidão!

Existe uma certa solidão e melancolia que vejo nas ruas de Lisboa, no semblante das pessoas que vão aos poucos tomando conta tambémde mim. Eu que sempre tive a mania de sorrir e por tão pouco me alegrava, vou deixando que o vento, o clima, o céu, a vagarosidade das pessoas nas ruas, o silêncio sempre tão presente por onde ando, tornar-me uma "lusitana" calada e inconformada.

Não gosto do silêncio quando ele é propositado, ou por não se ter nada a dizer. Também detesto a palavra solta ao vento como se ela pudesse preencher tudo. Tem gente que tem a mania de nunca se calar. Que diabos! Fala, fala, fala...quase me deixa louca. Prefiro, a essa gente, o canto dos pássaros, o miado da Lolita, os gritinhos das crianças que ouço aqui de cima, que vêm de um infantário aqui do Bairro Alto.

Não me apetece escrever trabalhos acadêmicos nesta manhã chuvosa e triste. Só me apetece ler um bom texto, enfiar minha cabeça debaixo das cobertas e esquecer que existe compromisso com a escrita. Ainda por cima escrita de texto académico! Quer coisa mais chata e inútil? Sim, inútil. Alguns não servem para nada! Os meus acho sempre um lixo, embora os faça com o mesmo zelo com que escrevo uma carta de amor. Sim, porque pelas palavras escritas tenho o maior dos respeitos e sempre acho que devemos tratá-las como flor perfumada. Já que inventamos a escrita, devemos ter por ela o cuidado de um criador, de um escultor, o cuidado de quem fotografa uma menina pobre a sorrir. Uma senhora a ler solitária no Jardim da Estrela. Como esta que vi e registei. Senti-me com aquela idade, a ler só, somente só o que realmente me apetece. Ah, quando será que este dia vai chegar?